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Este medo que me prende

Se alguma vez ficaste de coração partido mesmo sem que tenhas feito nada, junta-te ao clube! Somos duas!
Queres o meu melhor conselho? Se no futuro tiveres dúvidas se deves seguir o teu coração ou ficar à espera, eu digo-te: segue o teu coração! Se pensares bem, o pior que pode acontecer é te desiludires ou ficares com ele partido, certo? Podes até pensar que foste imprudente e que te atiraste de cabeça… Mas de que te serve a prudência se no final o resultado for o mesmo, um um buraco no lugar onde deveria estar o teu coração? 
Eu sei do que falo. Eu fui aquela que não tomou iniciativa com medo de sair magoada, mas que, no final, não ter feito nada foi, na verdade, o mais doloroso…
Sabes, comigo tudo começou com amizade. Não foi logo aquele sentimento arrebatador que faz tirar o fôlego à primeira vista. Foi mais do género de semente que cai no chão e aos poucos começa a germinar até ser uma árvore grande… Pequenos gestos e palavras foram dando força à sementinha para ela crescer e ficar forte. À medida que ela crescia, as raízes iam fixando-se cada vez mais fundo, escavando cada vez mais até se fixarem no núcleo do meu coração. 
Quando dei por mim estava irremediavelmente apaixonada. Daquele tipo que suspira pelos cantos, que pensa a todos os instantes do dia nos momentos passados a dois, por mais singelos e inocentes que tenham sido. Mesmo assim, o meu primeiro passo foi a negação… “Não pode ser”, “Qual apaixonada, qual carapuça!”, “Estás é maluca da cabeça!” Acredita, estes pensamentos viajaram na minha cabeça durante muito tempo… Mais do que eu gostaria de admitir, mas por fim acabei por admitir o que sentia. Não tinha mais por onde fugir… 
O meu segundo erro foi ter medo de exprimir os meus sentimentos e não ser correspondida. Mentalizei-me que era muito cedo, que não era o momento certo para me declarar… Mas afinal, há um momento certo? Não, acredito não… Esperei por ele tanto tempo que eu mesma fiquei cansada… Agora penso que talvez esse momento tivesse sido quando consegui aceitar os meus sentimentos. 
Em vez disso, esperei por aquele despertar em que sentiria um clique na minha cabeça que me diria “É agora! Diz-lhe!”. O meu engano foi querer transformar em racional algo tão irracional como o amor… Quis à força atribuir-lhe uma lógica que ele não possui e não percebi o que estava a passar por mim. 
Tinha acabado de decidir que não podia esperar mais para declarar os meus sentimentos quando ele me apresentou a sua namorada. Disse-me que por ser a sua melhor amiga era a pessoa a quem ele estava a contar primeiro… Nesse momento o meu coração quebrou-se em mil pedaços, mas os meus lábios apenas mostravam um sorriso. As minhas lágrimas corriam internamente, para ele não perceber o meu sofrimento. Tinha tudo corrido mal… O meu coração estava em pó… E eu não tinha mais ninguém a quem culpar senão a mim mesma e à minha prudência. 
Se eu podia ter tomado a iniciativa e mesmo assim ter falhado? Podia, mas aí tinha mais alguém a quem culpar para além da minha pessoa. Aí tinha mais para recordar do que apenas a minha covardia…
Por isso e mais uma vez te digo, quando tiveres dúvidas, segue o teu coração. Ele sabe o que quer. Palavra de melhor amiga!
Filipa Marques

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