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| Tudo o que nunca fomos | Alice Kellen – Opinião

Tudo o que nunca fomos é um livro que faz o leitor pensar na imprevisibilidade vida e lembra-nos que basta um segundo para que tudo mude para sempre e nada volte a ser como antes. Ultrapassar a dor não é fácil e termos quem nos ajude é essencial, mas, acima de tudo, precisamos querer ser ajudados.

Tudo o que nunca fomos

Título Original: Todo lo que nunca fuímos

Autora: Alice Kellen

Data de Publicação: outubro de 2020

Série: Deixa Acontecer

Volume: I

Páginas: 344

Editora: Editorial Presença

ISBN: 9789722366465

Onde comprar: WOOK | Editorial Presença

Sinopse

Leah está destroçada. Leah já não pinta. Leah é um fantasma desde o acidente que lhe levou os pais.

Axel é o amigo do seu irmão mais velho e, quando aceita recebê-la em casa durante uns meses, quer ajudá-la a encontrar e a colar os pedaços da rapariga cheia de vida e cor que outrora foi. No entanto, Axel não sabe que ela sempre esteve apaixonada por ele, apesar de serem quase família… nem sonha que a sua vida está prestes a mudar.

Porque ela lhe está proibida, mas desperta-lhe os sentidos.

Porque há o mar, as noites estreladas e os discos de vinil dos Beatles.

Porque, às vezes, basta um «deixa acontecer» para ter tudo.

Este é o primeiro livro de uma série de dois volumes repleta de emoções!

Texto extraído do site da editora Presença, disponível neste link.

Opinião

Tudo o que nunca fomos conta-nos a história de Leah, uma jovem mulher que fica emocionalmente quebrada depois de sofrer um acidente de viação onde também acaba por perder os pais. Desde então vive num estado de depressão de onde não consegue e, na minha opinião de leitora, não quer sair. Pareceu-me, ao longo da leitura, que ela tinha algum sentimento de culpa por viver, como se o facto de seguir em frente fosse uma espécie de traição aos pais que perderam a vida no acidente e, por esse motivo, apenas sobrevivia.

Oliver, irmão mais velho, é o único familiar que lhe sobra e agora também ele vai trabalhar para longe. Leah vê-se então obrigada a morar com o melhor amigo do irmão (e antigo crush).

Axel hesita, quando o melhor amigo lhe pede para tomar conta de Leah, mas acaba por ceder quando Oliver insiste. Leah não é uma menina pequenina que precisa de supervisão… Ela é uma jovem mulher que sobrevive a cada dia que passa porque desistiu de viver depois do acidente. Ainda assim, e lembrando-se bem de como ela costumava ser, Axel decide fazer tudo para derrubar as barreiras dela e fazer com que volte a ser a menina sorridente de quem ele se lembra.

***

Como já disse no início, ultrapassar a dor não é fácil e termos quem nos ajude é essencial. Axel foi essa pessoa para a Leah. Ele foi aquele que puxou por ela, que não permitiu que ela continuasse naquele poço escuro e, de certa forma, confortável em que se isolou. Mas, apesar de tudo, acho que a Leah não saiu mais cedo desse isolamento por sentir culpa. Culpa de continuar a viver, quando os seus pais morreram no mesmo acidente em que ela esteve envolvida. Acho que essa foi a verdadeira batalha desta personagem e gostei que ela tivesse força suficiente para se superar.

Ao mesmo tempo, também Axel enfrenta os seus próprios demónios… O melhor amigo deixou a sua irmã mais nova ao cuidado dele e ele iniciou uma relação com ela. Também não foi uma viagem fácil para ele, dividido entre a lealdade que tinha para com o melhor amigo e os sentimentos que desenvolveu pela sua irmã.

***

A ação desta história passa-se maioritariamente na casa de Axel e em grande parte da história contactamos apenas com ele e Leah… Gostei muito de ambos, da sua interação e da sua evolução… Adorei a forma como se ajudaram mutuamente a ultrapassar as barreiras que ambos tinham. Formaram uma boa dupla e por isso fiquei de coração apertado com aquele final!!!! (que não vou revelar!!! :P)

A história de força e superação da Leah, bem como o exemplo de apoio demonstrado por Axel fizeram deste livro uma bonita história que me envolveu, cativou, entristecer e empolgou ao longo das suas páginas. Ela faz-nos pensar em força, própria e transmitida por quem nos ama, em medo, do que perdemos e do que podemos ter e em amizade e traição.

Achei que no final o Oliver se demonstrou um pouco duro, mas não posso deixar de compreender a sua posição… Enfim, o sentimento de traição dificilmente poderia ser excluído desta equação, dadas as circunstâncias em que este romance se iniciou… Resta-nos esperar para ver o que acontece no futuro…

Finalmente, quero dizer que estou, ansiosamente, à espera do próximo livro para descobrir o que vai acontecer com ambos… A autora deixou-me (e a todos os outros leitores) pendurada no precipício, à espera de respostas que só irão surgir no próximo livro… Dilemas que espero ver (ler) resolvidos muito em breve! 🙂

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Podem ler mais opiniões seguindo este link.

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